O homem que vendia demais (Valor Econômico - Setorial Logística)

Jornalista: Mario Henrique Viana


14/09/2015 - Poucas vezes na vida Clóvis Gil fitou tão surpreso como no dia em que ouviu de seu antigo chefe, um empresário do setor de transportes, que deveria vender menos entregas: "Não temos onde estocar, nem espaço nos caminhões. Pode parar de vender por enquanto". A ducha de água fria no jovem pai de família, que se dedicava a encontrar clientes que tivessem volumes a serem despachados, teve seus efeitos: percebeu que ali não era seu lugar.

"Como eles não queriam crescer, decidi buscar trabalho em outro lugar", conta o empresário. No início da trajetória que o levou a ter o próprio negócio, Gil descobriu que era preciso se especializar e identificou uma oportunidade nos segmentos de medicamentos e de cosméticos. O que chamou sua atenção foi que a contratação do frete cabia à indústria, e não ao comprador.

Até então ele era apenas um vendedor que sonhava grande. Foi quando encontrou um investidor que o convenceu a montar a própria transportadora para atender a esse nicho de mercado. Em 1996 nascia a Ativa Logística em um pequeno armazém de 300 metros quadrados na Vila Jaguara, na cidade de São Paulo.

"Acertamos que o investimento feito teria que ser pago em dois anos, mas em cinco meses já havia recuperado o valor", conta. Começou primeiro na região metropolitana de São Paulo, depois ampliou para um raio de 200 quilômetros até alcançar todo o interior do Estado.

Desde então a empresa tem crescido e prosperado. Mesmo neste ano de crise, em que vários setores industriais estão sofrendo para alcançar metas, o negócio de Gil tem avançado. "Entre os setores que atendemos, alguns tiveram um pequeno declínio no movimento, mas outros, como o segmento de medicamentos genéricos, seguem crescendo."

Em 2015, o embarque de genéricos aumentou 24,6%. Atualmente, 45% dos mais de 700 clientes atendidos pertencem ao segmento farmacêutico, responsável pela movimentação de 14 mil toneladas de produtos mensalmente.

"Não podemos reclamar de crise. Temos que seguir com nossos planos e trabalhar muito", diz o empresário, que planeja investir R$ 8 milhões neste ano em renovação da frota e na ampliação da filial em Curitiba. No ano passado, a unidade ampliada foi a de Vianna (ES). Em 2016, será a vez de Itapevi (SP) e do Rio dejaneiro, que ganha nova filial em Barra Mansa.

"A idéia não é ampliar a abrangência geográfica, mas aumentar nossa capacidade de transporte na região em que já operamos", explica Gil. Ele projeta uma queda de 30% para 20% no crescimento dos negócios neste ano, comparado a 2014. A Ativa tem 14 filiais e oito pontos de apoio, todos nas regiões Sudeste e Sul. Hoje, a empresa faz por volta de 130 mil entregas por mês e opera com 70% de sua capacidade logística instalada. São cerca de 500 caminhões e quase dois mil funcionários, incluindo os terceirizados. A cada quatro anos a frota é renovada. "Assim que acaba o leasing, fazemos dinheiro", enfatiza o empresário.

A especialização em medicamentos e cosméticos requer cumprir uma série de exigências feitas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os caminhões da Ativa são equipados com baús iso-térmicos e a empresa tem câmaras frias com temperaturas entre 2°C e 8°C e salas climatizadas entre 15°C e 25°C. Em todas as unidades a empresa mantém um farmacêu-tico-responsável, que garante as condições adequadas de armazenamento. De todas as movimentações de carga, 95% chegam ao destino dentro do prazo estipulado como meta pela empresa.

"Esse cuidado é importante para que a qualidade do serviço alcance também o cliente do cliente", afirma Gil ao descrever o círculo virtuoso deste processo. "Quanto mais mercadoria ele receber, mais irá vender e mais irá comprar de novo, o que move nosso negócio", destaca.

De fato, a empresa tem sido reconhecida com prêmios dos setores de medicamentos, perfumaria e cosméticos. Só em 2015, foram dois reconhecimentos por sua eficiência e performance em transportes. O primeiro, da cliente Hypermarcas, líder no mercado farmacêutico brasileiro e uma das maiores empresas de bens de consumo do Brasil. O outro
veio do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma). A Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec) também reconheceu a Ativa, neste ano, como fornecedor qualificado para itens de perfumaria e cosméticos.

O empresário não revela o faturamento da empresa. O ponto forte de sua gestão é saber combinar o controle dos custos - o peso maior é da mão de obra - com a garantia de segurança de suas cargas. "Sem contar o seguro, investimos 4% do faturamento em segurança todos os anos", diz. Para minimizar os riscos de assaltos, a empresa de segurança patrimonial contratada pela Ativa coloca iscas eletrônicas junto das cargas e mais quatro dispositivos rastreadores em cada caminhão. "Conseguimos reduzir substancialmente nossos índices de roubo de carga. Esta é a forma mais eficaz de reter o cliente", afirma.

 
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